domingo, 2 de maio de 2021

vivos

vivos que jà fomos

nas marcas do tempo

que traçaste ora aponta

o rumo do sonho que 

almejamos por sermos

estrelas do universo

que seremos
 

a escrita


 a escrita brota do coração

como de uma zona interdita

onde a alma pontifica reflexos

 distantes mas sempre acesos

como se a linguagem fosse um

cèu de estrelas que ora determina

o rumo o norte o caminho do poema

o medo

o medo  palpita nas palavras

como um lodo escuro sò visivel

quando as àguas da ria por contar

deixam de pulsar a melodia solar

que se reflecte no seu espelho anelante
 

sabes


 sabes tão bem que tambèm não sabes 

por saberes que que não sabes que nada 

dizes sobre o que ambos sabemos embora

 possas dizer do nada que disseste a

 insustentàvel transgressão que desagrega

qualquer elo de fragilidade impossìvel por

 ser corrente de indivisivel devir

gotas


 sensivelmente sejem mil gotas

de neblina muito fresca a tombarem 

na folhagem do prenùncio como se o

 som que escuto pudesse ser a metàmorfose

 do pàssaro

ainda o sonho

ainda o sonho no instante

da madrugada a vincar o rumo

inevitavel da bruma que o vento

sibilino jà não tange
 

nenhuma àgua

nenhuma àgua se extingue

ou dissipa mas onde antes

 obdece um ciclo interminàvel

por ser a vida onde sempre se

renova como num ventre de uma

mulher onde navega um barco invesivel

sem nenhum naufragio de vontade


 

disporas cintilações

cinzeladas na pedreira

filagranada da lava

deternura com que te

sorvo sem nunca deixar

 que te petrifiques no espaço

intemporal da rotina bafienta

e sòrdida qur aniquila qualquer

corrente còsmica

 

sulcas

sulcas o universo

da insònia

como no carrocel

da vertigem ainda

que não te queira

estrela cadente
 

move- me

como se projectasse a ilusão

para là da ilusão

sobre o delicado leito do sonho

ao encontro do barco do teu corpo

envolto na sombra de um rio impreciso

sem nenhuma cor das que jà foste
 

não consigo

não consigo deixar

de sentir o frèmito

inicial do coração

como se vivesse o

momento que palpitava

nas mãos que me estendias

nas imagens que desfilam

vibrantes por entre memòrias

fulgurantes de luz e silêncio

que palavra alguma consegue

desenhar
 

discurso

o discurso repete - se abdrupto

duplo circular tentando inventar

o espaço lùdico na certeza de quem

veste a pròpria com roupagens de volùpia

lascivamete sob um sol de cinzas poder - se - à

imaginar ainda um botão de rosa e aspirar anelante 

o seu aroma como quem beija um seio de ternura
 

transpiras de ansiedade

respiro o perfume

ternurento

de uma noite de inverno

navegas no meu pensamento
 

in verso

beijo - te por necessidade

os teus làbios

arrepiam a minha sombra
 

a sombra


 fala por mim

e por mim fala

a minha ansiedade

sou


 sou o infinito

que acaba

numa làgrima

covarde do teu

rosto a chorar

sou enfim


 sou enfim a chama

acesa que te quema

sem te tocar

meu amor

sou feito de areia

fina

que o vento levanta

mais ninguèm segura
 

na boca do marinheiro


 na boca do marinheiro

do fràgil barco veleiro

morrendo da canção

màgoada diz o pungir

de desejo dos làbios

 a queimar de beijos

que beija o ar e mais

nada

Mãe adeus

Adeus  Maria guarda bem

o seu sentido que daqui te

faço uma jura ou eu te levo

a sacristia ou foi Deus servido

dar me mar a sepultura
 

terra


 que terra è esta

este mar

que sò acaba nos cèus

ou nem là tem o seu fim

ou hei de eu acabar ou

ha de querendo Deus ele

em mim

noite


 a noite repete  se a tristeza

 abafa o medo de possuìr demònios

 nas veia enroscascam em forma de

 torpedo

humildade

na tua humildade saboriea - se
 o clima ameno e sereno

Diabrices


 brigas  no abrigo esperado 

olhos de sereia luzindo luzindo 

 ao amado sol a mais pròspera

boleia rebolo no teu cdrpo na tua

 pele doce e macia

Olhar


 no teu olhar sò vês as pètalas

que murcham no meu coração

sofrem de angùsta respiram

espasmos com medo de morrer

Eu sou

 as folhas em branco

 em que tu escreves e soletras 

dentro de mim

Ò vorazes Vozes

de mecânica velocidade tapando o horizonte com violentos leques de retórica ò meu amor ainda vivo eu quero ser a tua voz lúcida e ardente pa...