santificante da sua vigia
que nos encanta
tristezas e pesares que não
podes ignorar a sua bondosa
presença a sua divindade o seu
divino enleio
seja ela um manto de trevas
carregadas de insegurança
e mistérios que sempre terei
no céu estrelas
que em meu peito a recolhi
se em meu peito que uma
luz eterna dà que nada
consiguirà que não venha de ti
não valho mais do que vales
chegamos ao mesmo mal
porque desvios distantes
olha - me pois como dantes
sorri como antas não fales
sem eu saber defender - me
e a minha alma roja inerme
como o teu corpo exibido
que a vil contracção fria
que atiras à freguesia por
dever de profissão para que
em meu coração o teu sorriso
sorria
não tenha a graça que tinha
se ao lábio e aos olhos te vinha
descido do paraíso
vou - me a escrever nada escrevo
vou - me a falar mas não devo posto
deve - se falar
quando olhavas o sol oposto
não fugiste da janela caiu
e queimou -te o rosto
e os meus gritos não saem
dou ais que me ecoam em ecos
se esvaem de ais que não pude soltar
ò sopro ò renovação
incessante pura e veemente
como aço a raiva e a doçura
do nosso desejo
em ti espero hoje como ontem e amanhã inexoravelmente rebenta ò árvore
abandonada no inverno do áspero caminho
canta ò ave intranquila do amor teu sonho
tua planície
que a vida è um punhado infantil
de areia ressequida um som de água
ou bronze e uma sombra que passa
em cadência que rezava marés em túnica
um dia se fará secos polinómios e vinho
alegre ao som de ângela e haverá geometria
descritiva
o vento dedica - se ao ritmo
das estações vem com o ruído
dos comboios com a chuva
das árvores esconde - se nos
tanques onde a morte se abriga
um dia se fará mármore nesta ténue
espuma de embriagues
o que suspeita sem ferir o que abre as
feridas descendo descendo das vinhas
para o rio o teu corpo aparece muitas
vezes nos espelhos nos espelhos è como
uma tarde de inverno sobre as coisas que
matam esquece onde eu esqueço ainda esse
sinal sem lugar nem voz reinventa a história
do mundo por verso apenas reabre o tempo
abre as janelas os vidros deixa ver a manhã
que nos desperta
no sitio muito bem
então declaremos a paz
luta a luta inútil havereis
de notar quem desiste
da estúpida guerra
se vislumbra o amor ès
o canto da cotovia a luz
em noite escura ès o arco íris
o sorriso que aproxima ès o cuco
que anuncia a vitória ès o som que
embala e faz dançar ès a flor que brota
num jardim por semear ès o veludo sinfonia
que embala o vento ès o branco da bruma
peço - te em casamento
mas não è porque existe
o teu corpo um corpo podia
ser um território calmo onde
repousar mas não è porque
existe o perfume do teu corpo
que não me permite repousar
em ti seria uma batalha perdida
mas eu contigo não me importo
perder foste tu que me fizeste vencedor
e eu morro mais um pouco cada vez que
partes e levas e levas um pedaço de mim
ver o teu olhar
a inundar - me a visão
de cores e amor
o brilho de criança
no teu olhar eu renasço
para o mundo
mar a envolver - me a pele
a molhar -me à saliva
è o infinito que alcanço
na leve bruma da manhã
que nasce no teu olhar
palavras nem silêncios
não preciso de um para
sempre necessito de um
infinito no momento
gosto que me devolvam
as palavras num sorriso
num olhar de lua cheia
no silêncio de neblina matinal
penso que a paz è isso devolverem
as palavras num olhar de lua cheia
no silêncio de neblina matinal
do que uma vontade
è uma necessidade de elevar
as palavras para que o vento
as leve atè ti para que as palavras
não criem redemoinhos no meu
cérebro e me embrulhem no estômago
o texto não tem nem quer unidade
sò calor e humildade ar de uma fala
para um fôlego já è diferente tudo o
que eu pari posso matar estou a espera
de um livro não confundo plenitude
com literatura e falar de arte para o umbigo
não faz muito o meu gènero
a fruir reais as coisas tem
de ser de quem as estima
e não de quem as possui
as minhas pernas são apenas
árvores os pès raìzes os poemas
de amor jà foram escritos ditos
e escondidos excepto um o da
proporção amar e ser amado
na lâmina do mundo inteiro
mulher homem criança animal
etc pelo que lhe desejo a mesma
febre que eu sinto
tens uma pérola que não se
precipita que me dàs pede toda
e não diz tudo ou nada nem sonha
nem avisa tem um anel de estrelas
sò interessa a inveja e o cometa
o que importa è a forma como a
tua mão ou a minha passam uma
ténue pela outra ou então pela
força não tem pescoço mas um
càlice que ergue uma taça de luz
à raìz
a verter horas novas
pode impedir à pressa
o relògio da caixa alta
de bater as lágrimas
uma a uma as gotas
a tempo mas incertas
a correr das telas
o irritar das balas
o longo percurso
que se chama a nossa voz
a vez de temos causas e proteger as asas
rico e único o testemunho o parto
de mais um ou dois ou três ou mais
um sentido dado a luz e a humanidade
éramos muitos numa mesa de quatro
eu tu e ela as palavras
qalmas profundas da cor de lagoas
filhos viagens crónicas de povos
e numa eternidade de três horas
lia - te o espanto adivinhava - to no brilho as
palavras jorravam em castas empurrando o tempo
enrolavam - se as gotas nos verbos chamando à vida
à fantasia e dando aos nomes que proliferos fluíam de nòs
quem as escute ! Felizes das ideias que encontram
palavras que lhes deram forma porque farão delicias
dos sàbios sequiosos ! Felizes das letras que geram
palavras e sentidos porque construirão a sua eternidade
Felizes os livros brancos que souberam acolher a escrita
desenhos de letras prenhes de sentidos porque irão florir
nas pombas e oliveiras ! Felizes dos homens que abriram
os seus olhos à brancura das palavras porque a eles foi dado
o dom da sapiência o eterno conhecimento da bondade !
Felizes dos lábios e dos corações que soletram pureza mãe amor !
por entre as nuvens e cor
escultor de rostos para além da pedra
artesão carinhoso de peças frugais
construtor de palavras desperta os sentidos
criador de horizontes de rios fecundos
pesquisador eterno
no regresso a fonte com sede da verdade
a vida è um eterno cruzar do mar interior rumo
a um norte em busca de um corpo de amor ao sabor
do destino do querer e da sorte
porque construirão a sua eternidade felizes dos livros
brancos que souberam acolher a escrita desenhos de
letras prenhes de sentidos porque irão florir nas pombas
e oliveiras felizes dos homens que abriram os seus olhos
à brancura das palavras porque a eles è dado o dom da
sapiência o eterno reconhecimento da bondade felizes dos
lábios e dos corações que soletram pureza mãe amor
porque terão quem as escute felizes
das ideias que encontram palavras
que lhe deram forma porque farão
as delicias dos sábios sequiosos
de falar talvez eu tenha tempo enfim
para te escutar porque eu sei que tambèm
tu terás das tuas e enquanto eu andar por
perto contigo a devagar de rua em rua
aos meus ouvidos dirás outras histórias
que serão tal e qual como a que ouviste
sem tirar nem por e tu choraste e riste nos
cinco minutos da minha lenga- lenga
ainda falta muito vais - te admirar do velho
poeta perdido sem tento perguntando à lua
pelo vento do menino rico que na rua procura
o que não encontra numa casa nua de mim e do
ouro de aqui e de além histórias como estas serão
mais de cem
para me escutares muitas
histórias eu terei para te contar
da vizinha do lado sem marido
e sem pão com o corpo rasgado
e o vestido no chão do filho cansado
de tanto escutar sempre o mesmo fado
no lugar de criar da moça bem feita a quem
nada falta e fica a espera das sobras da malta
o tempo do mundo
para falar ouvir e
pensar falei alto
e do muito que disse
calei fundo enquanto
o sol não parava de rodar
agora sò espero que cheguem
novamente os cinco minutos
do teu tempo se acaso tiveres
tempo para tu contares e eu escutar
o que eu cria era escutar
apenas tu me ouviste e sem
te despedires perdi - te de
vista não sei se partiste
de mecânica velocidade tapando o horizonte com violentos leques de retórica ò meu amor ainda vivo eu quero ser a tua voz lúcida e ardente pa...