quarta-feira, 24 de março de 2021

Sò tu

Sò tu podes dissimular ilhargas  aveludas

das radioscopia na  matriz dos versos

deixa - me a beira da fogueira porque

esta noite  è um golfo a desen - gastar 

as artérias deixa - me na viragem das

recordações descolorir a garganta ...


qual das tuas mãos apazigua a erosão

da escrita que deuses fantasmas no seu

rastro se acendem que agulha esperança

pode ser a sua morfina ...
 

No comboio dos nossos nomes

No comboio dos nossos nomes

entranha moìda da terra sob

o pecadaço de lágrimas dos

músculos encostado às cordas

a semear no espaço entre o inferno

e o amor a combustão do tempo ou

os velozes   domínios da cabeça 

aproxima os tigres de papel da

 dramaturgia sensual do alfabeto ...

 

Esse Olhar

Impossível esse olhar nomear as  estrelas

olhar que começa com o preço da melancolia

o olhar baço e sem gazela o que renunciou

o curioso abismo das suas crias retirar os

 pássaros das estações o lírico aborrecimento

da sua morte / ampliar as impacientes veias

do mar o tempo pugilato do tempo  imprimia

na boca no aço da cidade e os demónios do

alfabeto ... 
 

Abre - se a Porta ...


 Abre a porta e depõe  a  solidão na sua luz

arrogante vasta aproxima - a da palavra no

seu templo de ruínas deixa - a lacerada os

gigantescos pulmões do medo ...


sò a boca pode iludir os seus náufragos

sò ela pode  convencer a mão a preparar

os ácidos e desmembrar passados nas cores

 da  ausência ...


Árvore


 Era  uma árvore em pássaros em metáforas

sem frutos a ocupar a terra era  o vazio

uma poça de sangue a coagular luas

dias o  horto do poema / arrumo o lugar

da mesa transgredindo os objectos dizem

me que a escrita o cenário a respiração

transfigurada pelo epitáfio da linha curva

linhas sem sílabas um quase pulmão

sem música um  esboço de renúncia

abre a porta e depõe a solidão na luz 


Touro

Touro no ramo da figueira

depois de despenhar lágrimas

sem dizer coisa  alguma


depois acender de novo

as marionetas guardando

nos lábios astrolábios do

 silêncio bùssulas da loucura
 

Olhos

Inscrevo  agora a pergunta na ordem

do meu corpo de que cor são os olhos

de um louco depois o vazio nenhum

objectivo nem o polèn dos retratos

a apodrecer nas molduras depois

a luz a tactear a demência íntima

do corpo nos desfiladeiro da lìngua

depois o sangue a multiplicar razões

 dos fòsferos nas lembranças ...


 

Estreia - se as asas


 Na pausa dos nomes

espera ainda pela mãe

rente a loucura no esboço

do céu não lhe responde

a loucura porque a ama


com o egoísmo o casulo

do seu corpo

fadiga de anjos ou cobardia

dos homens o solo da loucura

nenhum filme è capaz è nas suas

mãos que o fluxo das raìzes apazigua

o silencio da tua voz ....

terça-feira, 23 de março de 2021

Teus Versos

Teus versos a alforjaria da noite

de tanto intimidar os ossos

da noite em vertiginosas camas

de deuses e febos e mascaras 

de ouro


sangue os grandes monstros

do sol desenharam abelhas de

fogo è um aguaceiro descrente

de água


um Prince descalço no corpo

dos outros nas pausas ainda a espera

pela mãe ...

 

Os meus olhos

Os meus olhos encancerados

já a lonjura urdia a valsa dos 

duendes


não fujas sò porque estou sentado

na impaciência das cores onde o

tempo não se resmunga


disse - me a loucura tem escamas

nos meus olhos mas nenhuma linha

dos teus versos alforraria de tanto

intimidar ...


 

Idade


 Nenhuma idade è mais sólida

que as ruínas das  casas


sò as pedras em absoluto

às carícias


de que podem as casas a extensão

do desastre dos homens no mundo

Num suspiro de alìvio


 Deixando  para trás o passado

que là vai num suspiro de alivio

em liberdade transbordando

lágrimas


que regam a saudade silenciosa

em nòs rumo ao amor que nos

transcendem a dor


simplesmente amando - te

no amor ... amando - te

no fundo do meu coração 

 

Nuvens

Uma nuvem paira no ar

movendo os nossos


 pensamentos  não são

os objectos imóveis que

mudam de lugar

nòs è que os movemos


deixando para atrás o passado

que se foi num suspiro de alívio

em liberdade deixando lágrimas 

que regam a a saudade silenciosa



Liberdade

 Livre  esbelto coração  cheio de amor

em noites de presságios no confronto

do luar sem nunca te dizer o adeus


 sem nuca partir voando  submerso

poisando de flor a flor saboreando

o seu néctar sem nunca se prender


o seu mel sem pertenças cordas

amarradas presas libertadas

desfrutando o eterno luar solto


num voo livre atè se poisar no eterno

fraterno leito da sua amada ...
 

Ordem invesa

    O vento trocou - me a ordem inversa

do poema despoletando a sua liberdade


tão livre o poema como o vento

libertando  - se voando rumo ao

seu destinatário em voo livre ... 
 

Espera por mim

Aguarda - me  guarda a tua doçura dar - te - ei

tambèm uma rosa / algures no mundo estou

eu esquecido em mim no bosque escuro nunca


vi o lago quem me perdeu aqui ?

quem me inventou com pernas

e com  os meus braços que levaram

de mim dentro de cada um estou eu


mas com que espaço em que tempo

serà que senti ... hoje sò sei do doce

abraço em que passo para ti ...
 

Love

em cada nitidez  dos braços ressequidos

nos traços  tambèm existem o percurso

de aves migratórias que a primavera

trará uma obediência e esse ciclo 

de solar velùpia ... / encontramo - nos


sedentos e  bebemos toda a água e sangue

encontramo - nos com fome e mordemo - nos

deixando - nos ferido ...
 

Amo - te assim


 Como um poema ... como uma pena de asas 

constante  recusa de mudar / a mão e os braços

frios mas forte de doçura / no teu sorriso que è

sempre o teu modo de abraçar a luz dos pulmões

desabafado a partir  de  dentro o centro da pedra

respirada no espaço a suplicada ausência ...

A - Mar

Palácios dentro  de soluços convento de freiras

a pensar ligeiro a arfar / a brisa a passar entre

as casas / as mulheres voam como anjos com

as suas asas feitas de cristais / serei de branco

despojado de tudo / no ar ficou a cor dos teus

olhos ... 


Parte do mundo entra nas casas atravessam

as ruas trocam palavras que eram tuas por

palavras de todos os outros luz frágil de uma

 vela iluminando outro tempo ...
 


 Sò de solidão nos olhos entre os braços

nos olhos um mundo de silêncios entre

os braços no mar os pescadores sem barcos

as searas as algas e a louca vontade de poder

dormir ...

A - Mar mercadores de pérolas sem lágrimas

e uma hidra / pescadores de dor / vento descalço

de calor e tranças em colar de  medusa / mulher

de branco cansado de esperar por dias de paz

e uma manhã agasalhada em nevoeiro ...

Ò vorazes Vozes

de mecânica velocidade tapando o horizonte com violentos leques de retórica ò meu amor ainda vivo eu quero ser a tua voz lúcida e ardente pa...