sexta-feira, 8 de julho de 2022

poemas esquecidos na madrugada

este è o amor que dói silenciosamente

na tua ausência presente em mim como

se uma lágrima nos ocultasse um sorriso

uma ternura uma palavra amiga bem profunda

em nòs no amor um carinho o teu sorriso tão

belo que ilumina todo o meu ser como quem

parte num abraço caloroso cheio de ternura

num sorriso que jamais se arrefece e se congela

mesmo diante a morte se manterá viva a chama

 ardente em nòs no amor ès a única mulher


que arranca e faz verter uma lágrima no meu rosto

a escorrer - me o corpo todo por amor amo - te


minha esbelta princesa


beijos !
 

não estejas longe de mim



 
um dia que seja

porque não sei dizê - lo 

è longo o dia estarei à

tua espera como nas estações

quando em algum sitio os

comboios adormecem

não te afastes uma hora

porque então nessa hora

se juntam as gotas da insónia

e talvez o fumo que anda


à procura de casa venha matar ainda o meu coração perdido

ai que não se quebre a silhueta na areia ai que ausência as


tuas pálpebras não voem não te vaias por um minuto ò bem amada

porque nesse minuto terás ido tão longe que atravessei a terra inteira


a perguntar se voltarás ou me deixarás morrer

quinta-feira, 7 de julho de 2022

amo - te sem saber como

não te amo como se fosses rosa 

de sal do topázio ou seta de cravos

que propagam o fogo amo - te como

certas coisas obscuras secretamente

entre a sombra e a alma amo - te

como a planta que não floriu e tem

dentro de si escondida a luz das flores

e a graça ao teu amor vive obscuro


 em meu corpo o denso aroma que subiu a terra

amo - te sem saber como quando nem onde


amo - te sem problemas nem orgulho amo - te

assim porque não sei amar - te de outra maneira


a não ser deste modo em que nem eu sou nem tu

ès tão perto que a tua mão no meu peito è minha


tão perto que os teus olhos se fecham com o meu sono

 

o teu riso

tira - me o pão se quiseres tira - me o ar

mas não me tires o teu riso não me tires

a rosa a flor de espiga que desfias

a água que de sùbito jorra na tua alegria

a repentina onda de prata que em mim nasce

a minha luta è dura e regresso por vezes com

os olhos cansados de terem visto a terra que não

muda mas quando o teu riso entra sobe o céu

a minha procura abre - me todas as portas da vida

meu amor na hora mais obscura desfia o teu riso


e se de sùbito vires que o meu sangue mancha as pedras

da rua ri porque o teu riso será para as minhas mãos


uma espada fresca


perto do mar no Outono o teu riso deve erguer

a sua cascata de espuma e na primavera amor


quero o teu riso como a flor azul rosa da minha

 pàtria sonora


ri - te da noite do dia da luz ri - te das ruas curvas da ilha

ri - te deste rapaz desajeitado que te ama


mas quando abro os olhos e os fecho quando os meus passos

se forem quando os meus passos voltarem nega - me o pão


o ar a luz a primavera mas o teu riso nunca porque sem ele


morreria

 

para não deixar de te amar nunca

saberás que  não te amo e que te amo

pois que de dois modos è a vida

a palavra è uma asa do silêncio

o fogo tem a sua metade de frio

amo - te para começar a amar - te


para recomeçar o infinito

e para não deixar de te amar


nunca


por isso não te amo ainda


amo - te e não te amo


como se tivesse nas minhas mãos

a chave da felicidade e um incerto


destino infeliz


o meu amor tem duas vidas para amar - te

por isso amo quando não te amo e por isso


amo - te quando te amo


 

se me esqueceres

quero que saibas uma coisa

sabes como è se olho a lua

de cristal o ramo vermelho

de lento Outono à minha janela

se toco junto ao lume a impalpàvel


cinza ou o enrugado corpo da lenha

tudo me leva a ti como se tudo o


que existe aromas luz metais fosse

pequenos barcos que navega atè


as tuas ilhas que me esperam


mas agora se pouco a pouco me deixares de amar

pouco a pouco te deixarei de amar


se de sùbito me esqueceres não me procures

 porque já te terei esquecido


se julgas que è vasto e louco o vento de bandeiras

que passa pela minha vida e te resolves a deixar - me


a margem do coração que tenho raìzes pensa que nesse dia

a essa hora levantarei os braços e as minhas raìzes sairão


em busca de outra terra


porèm se todos os dias te sentes destinada  a mim

com doçura implacável se todos os dias uma flor


te sobe aos lábios a minha procura ai meu amor

ai minha amada em mim todo o fogo se repete


em mim nada se apaga nem se esquece o meu amor

se alimenta do teu amor e enquanto viveres estarás


nos teus braços sem sair dos meus


 

sobre os teus ombros

sobre as folhas que inundam

os teus pensamentos deslizam

como as águas e há um silêncio

há uma ferida uma sombra 

que passa o teu corpo na clareira

è uma onda e um fruto e um sabor da luz

è uma palavra e uma árvore
 

acordo

e já è manhã sem te ter por perto

tomo doce de batôn  em duche

de jasmim saboreio todos os traços

entre linhas do teu corpo cerejas em

pedaços de vento sem sopro agarro

o teu sorriso e recordo - me com ternura

a tua pele macia em forma de canção


 

apesar

das adversidades que a vida

te possa trazer nunca te deixes

enfraquecer adapte - se a situação

e não deixes de fazer o que mais

amas
 

escuta

sem escutar esse rarefeito gorjeio

pelo tempo transbordante como

se a verdade me ocultasse o que

no seu seio se vê sem se mostrar

è então que sinto o teu perfume

odor felino de fêmea apetecida

incendiar os sentimentos da memória

decantados no firmamento da insónia
 

navego

um barco de lágrimas

sonho pejado de cores

sem fim anelando íris

que meço plástica sinfonia

de regresso quimera de cetim


o teu corpo pedaço de terra vermelha

è o meu espaço sem ti diante a madrugada


de verão infernal sem a presença do teu corpo

do teu calor em mim por amor a ti !
 

Ò vorazes Vozes

de mecânica velocidade tapando o horizonte com violentos leques de retórica ò meu amor ainda vivo eu quero ser a tua voz lúcida e ardente pa...