quinta-feira, 7 de julho de 2022

o teu riso

tira - me o pão se quiseres tira - me o ar

mas não me tires o teu riso não me tires

a rosa a flor de espiga que desfias

a água que de sùbito jorra na tua alegria

a repentina onda de prata que em mim nasce

a minha luta è dura e regresso por vezes com

os olhos cansados de terem visto a terra que não

muda mas quando o teu riso entra sobe o céu

a minha procura abre - me todas as portas da vida

meu amor na hora mais obscura desfia o teu riso


e se de sùbito vires que o meu sangue mancha as pedras

da rua ri porque o teu riso será para as minhas mãos


uma espada fresca


perto do mar no Outono o teu riso deve erguer

a sua cascata de espuma e na primavera amor


quero o teu riso como a flor azul rosa da minha

 pàtria sonora


ri - te da noite do dia da luz ri - te das ruas curvas da ilha

ri - te deste rapaz desajeitado que te ama


mas quando abro os olhos e os fecho quando os meus passos

se forem quando os meus passos voltarem nega - me o pão


o ar a luz a primavera mas o teu riso nunca porque sem ele


morreria

 

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