quinta-feira, 7 de julho de 2022

para não deixar de te amar nunca

saberás que  não te amo e que te amo

pois que de dois modos è a vida

a palavra è uma asa do silêncio

o fogo tem a sua metade de frio

amo - te para começar a amar - te


para recomeçar o infinito

e para não deixar de te amar


nunca


por isso não te amo ainda


amo - te e não te amo


como se tivesse nas minhas mãos

a chave da felicidade e um incerto


destino infeliz


o meu amor tem duas vidas para amar - te

por isso amo quando não te amo e por isso


amo - te quando te amo


 

se me esqueceres

quero que saibas uma coisa

sabes como è se olho a lua

de cristal o ramo vermelho

de lento Outono à minha janela

se toco junto ao lume a impalpàvel


cinza ou o enrugado corpo da lenha

tudo me leva a ti como se tudo o


que existe aromas luz metais fosse

pequenos barcos que navega atè


as tuas ilhas que me esperam


mas agora se pouco a pouco me deixares de amar

pouco a pouco te deixarei de amar


se de sùbito me esqueceres não me procures

 porque já te terei esquecido


se julgas que è vasto e louco o vento de bandeiras

que passa pela minha vida e te resolves a deixar - me


a margem do coração que tenho raìzes pensa que nesse dia

a essa hora levantarei os braços e as minhas raìzes sairão


em busca de outra terra


porèm se todos os dias te sentes destinada  a mim

com doçura implacável se todos os dias uma flor


te sobe aos lábios a minha procura ai meu amor

ai minha amada em mim todo o fogo se repete


em mim nada se apaga nem se esquece o meu amor

se alimenta do teu amor e enquanto viveres estarás


nos teus braços sem sair dos meus


 

sobre os teus ombros

sobre as folhas que inundam

os teus pensamentos deslizam

como as águas e há um silêncio

há uma ferida uma sombra 

que passa o teu corpo na clareira

è uma onda e um fruto e um sabor da luz

è uma palavra e uma árvore
 

acordo

e já è manhã sem te ter por perto

tomo doce de batôn  em duche

de jasmim saboreio todos os traços

entre linhas do teu corpo cerejas em

pedaços de vento sem sopro agarro

o teu sorriso e recordo - me com ternura

a tua pele macia em forma de canção


 

apesar

das adversidades que a vida

te possa trazer nunca te deixes

enfraquecer adapte - se a situação

e não deixes de fazer o que mais

amas
 

escuta

sem escutar esse rarefeito gorjeio

pelo tempo transbordante como

se a verdade me ocultasse o que

no seu seio se vê sem se mostrar

è então que sinto o teu perfume

odor felino de fêmea apetecida

incendiar os sentimentos da memória

decantados no firmamento da insónia
 

navego

um barco de lágrimas

sonho pejado de cores

sem fim anelando íris

que meço plástica sinfonia

de regresso quimera de cetim


o teu corpo pedaço de terra vermelha

è o meu espaço sem ti diante a madrugada


de verão infernal sem a presença do teu corpo

do teu calor em mim por amor a ti !
 

Ò vorazes Vozes

de mecânica velocidade tapando o horizonte com violentos leques de retórica ò meu amor ainda vivo eu quero ser a tua voz lúcida e ardente pa...