domingo, 25 de setembro de 2022

como são belos

os teus seios

foram feitos a medida

das minhas mãos

pousa - os na minha boca

e conta - me a tua história


não tens história não tens noite

nem vazio nem praia branca ?


fala - me então do sol

da migração dos pássaros


da imensidão das estrelas

fala - me de ti


antes de possuíres um nome

uma história


sim


em qualquer parte lançaremos os nossos corpos 
 

nada podeis

contra o amor contra a cor

da folhagem contra a caricia

da espuma contra a luz nada

podeis podeis dar - nos a morte

a mais vil isso podeis e è tão pouco
 

como são belos os teus seios

trémulas palavras deixe

que neles eu me queime

como quem se deita num rio

sinto a terra mover - se iluminas

as águas e as estrelas

o percurso è longo

o silêncio montanhoso

debruço - me na tua solidão

se a paixão è feita sua não sei

se tudo è uma coisa sò não sei


que os dois cordões de um sò

bem sei no cego que a paixão


è o meu forjo

bem sei porque queima e è gostosa


não sei que o amor è bem de deus

bem sei que seja fogo e suba ao cume

das águas semanais e duras e cante 

invada inunde


è urgente descobrir rosas e rios

e manhãs claras


caì o silêncio nos ombros e a luz impura

è urgente o amor è urgente permanecer
 

se perderes a magia

perdes tudo

o que sobrar de ti

não não chega nem

para cumprimentar

o vizinho
 

tenho

a receita para morrer novo

envelhecer primeiro
 

ah !

ser indiferente ! è do alto poder

da sua indiferença que os chefes

dominam o mundo ser alheio

atè a si mesmo ! è de alto sentir

alheamento que os mestres dos santos

dominam o mundo ser esquecido

que existe ! è de alto desse esquecer

que os deuses dominam o mundo

não ouvi o que dizias e vi sò a musica

 e nem essa a ouvi


tocavas e falavas ao mesmo tempo

com quem ?


com alguém em que tudo acabava

no dormir do mundo !
 

a mulher que eu amo !

como são belos os teus seios

foram feitos à medida das minhas mãos

pousas na minha boca e conta - me a tua

história não tens história ? fala - me então

do sol da migração dos pássaros um nome

uma história sim em qualquer parte

 lançaremos os nossos corpos relva

alfaias efémeras armas exíguas
 

Ò vorazes Vozes

de mecânica velocidade tapando o horizonte com violentos leques de retórica ò meu amor ainda vivo eu quero ser a tua voz lúcida e ardente pa...