domingo, 25 de setembro de 2022

De onde chegam estas palavras ?

nunca houve palavras para gritar

a tua ausência apenas o coração

pulsando a solidão antes de ti

quando o teu rosto doía no meu

rosto e eu descobri as minhas mãos

sem as tuas e os teus olhos não eram

mais que um lugar escondido onde

 primavera refaz o seu vestido de corolas

e não havia nome para tua ausência mas

tu vieste do coração da noite dos braços


da manhã dos bosques de Outono

tu vieste e acordas todas as horas

preenches todos os minutos


acendes todas as fogueiras

escreves todas as palavras


um canto de alegria desprende - se dos meus dedos

quando toco o teu corpo e habito em ti e a noite não existe

porque as nossas bocas acendem na madrugada uma aurora

de beijos


oh meu amor doem - me tanto os braços de te abraçar

trago as mãos acesas a boca desfeita e a solidão acorda

em mim um grito de silêncio quando o medo de te perde


è um corcel que pisa os meus cabelos  e se perde depois

numa estrada deserta por onde caminhas nua
 

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