mas existes por isso
os deuses não existem
não existe a solidão e apenas
dói -me a tua ausência como
uma fogueira ou um grito
não me perguntes como mas
ainda me lembro quando no
Outono cresceram no teu peito
duas alegres laranjas que eu apertei
nas minhas mãos e perfumaram depois
a minha boca
eu sei deixa - me inventar - te
ao è um sonho juro são as minhas mãos
sobre a tua nudez como uma sombra no deserto
è apenas este rio que me percorre há muito e desaguar
em ti porque tu ès o mar que acolhe os meus destroços
è apenas uma tristeza inadiável uma outra maneira de habitares
em todas as palavras do meu canto tenho construído o teu nome
com todas as coisas tenho feito amor de muitas maneiras docemente
desesperadamente à tua procura atè me dar conta que tu estás em mim
que em mim devo procurar - te e tu apenas existes porque eu existo
e eu não estou sò contigo mas è contigo que eu quero ficar sò
porque è a ti que eu te amo

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