segunda-feira, 19 de setembro de 2022

eu

peço - te perdão por te amar

de repente embora o meu amor

seja uma velha canção nos teus

ouvidos das horas que passei

à sombra dos teus gestos

bebendo em tua boca o perfume

dos sorrisos que vivi acalentado

pela graça indizível dos teus passos

eternamente fugindo trago a doçura

dos que aceitam melancolicamente


e posso dizer que o grande afecto

que te deixo não traí o exaspero das lágrimas


nem a fascinação das promessas nem as misteriosas

palavras do vèu da alma


è um sossego uma unção um transbordamento de carícias

e sò te pede que repouses muito quieta e deixes que as mãos


càlidas da noite encontrem sem fatalidade o olhar extàtico da aurora



 

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