terça-feira, 20 de setembro de 2022

Lembrança alada

em alguma vida fui ave

guardo memória

de paisagens espraiadas

e de escarpas em voo rasante

e sinto em meus pés o consolo


de um pouso soberano na mais 

alta copa da floresta

liga - me à terra 


uma nuvem o se seu desleixo

de brancura


vivo a golpes

com o coração de asa


e tombo como um relâmpago

faminto de terra


guardo a pluma

que resta dentro do peito


como um homem guarda o seu nome no travesseiro

do tempo em alguma ave fui vida
 

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