domingo, 18 de setembro de 2022

O bairro da minha infância

não são as criaturas que morrem

è o inverso

sò morrem as coisas

as criaturas não morrem

porque a si mesmas se fazem


e quem de si nasce

à eternidade se condena


uma poeira de túmulo sufoca - me o passado

sempre que visito o meu velho bairro


a casa morreu

no lugar onde nasci

a minha infância não tem ais onde dormir


mais eis de um qualquer pátio

chegam - me silvestres risos

de meninos a brincar


riem e soletram as mesmas folias

com que jà fui soberano de castelos

e quimeras


volto a tocar a parede fria

e sinto em mim o pulso 

de quem para sempre vive


a morte è o impossível abraço da água


 

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