domingo, 18 de setembro de 2022

Trajecto

na vertigem do oceano

vagueio

sou ave que com o seu voo

se embriaga

atravesso o reverso do céu


e num instante eleva - se o meu coração

sem peso como a desamparada pluma


subo o reino da inconstância para alojar

a palavra inquieta na distância que percorro


eu mudo de ser permuto de existência surpreendo

os homens na sua secreta obscuridade


transito por quartos cortinados desbotados

nas calcinas mãos que esculpiram o mundo


estremeço como quem desabotoa a primeira

nudez de mulher

 

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