domingo, 18 de setembro de 2022

tu ensinaste - me

a fazer uma casa com as mãos e os beijos

eu morei em ti e em ti meus versos procuram

voz e abrigo e em ti guardei meu fogo meu

desejo construí a minha casa porém não sei

das tuas mãos


teus lábios perderam - se entre palavras

duras e precisas que tornaram a tua boca fria


e a minha boca triste como um cemitério de beijos 

mas recordo a sede unindo as nossas bocas


mordendo o fruto das manhãs proibidas

quando as nossas mãos surgiram por detrás de tudo


para saudar o vento e vejo teu corpo perfumando a erva

e os teus cabelos soltando revoadas de pássaros


que agora se recolhem quando a noite se move nesta casa

onde guardo o teu nome
 

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