tapando o horizonte com
violentos leques de retórica
ò meu amor ainda vivo
eu quero ser a tua voz
lúcida e ardente para conjugar
os arcos dos teus membros lacerados
para que surjas enfim com o esplendor
do teu leito materno !
tapando o horizonte com
violentos leques de retórica
ò meu amor ainda vivo
eu quero ser a tua voz
lúcida e ardente para conjugar
os arcos dos teus membros lacerados
para que surjas enfim com o esplendor
do teu leito materno !
ma não me mata se exemplo
devo ser para futuros rebeldes
se os por nascer devem aprender
com o retalhar e despedaçar de mim
mata - me e disseca - me amor
porque esta tortura vai contra
seus próprios fins carcaças suplicadas
não servem para anatomia
a qualquer terra
estas face que onde quer que chegue
retira frades do claustro mortos das
tumbas e pode fundir ambos os pólos
de uma vez abastecer desertos com cidades
e abrir mais minas na terra do que pedreiras
que já existem
ès justo porque não confiei
nos teus primeiros sinais
as vilas que resistem atè que forte
artilharia as sujeitem pela lei
da guerra não impõem condições
iguais è o meu caso na guerra do amor
não posso negociar o perdão após ter
obrigado o amor a mostrar a sua face
a tua fraqueza faz - me duplamente
cego como tu os teus de olhos e mente
amor nunca deixes saber que isto è amor
ou que o amor è pueril não me deixes
saber que os outros sabem que ela sabe
da minha dor que essa afronta - me torna
em minha própria nova dor
uma lágrima suspiro juro
não solicito para que obtenhas
um Non Obstante sobre a lei natural
estas são prerrogativas inerentes a ti
aos teus ninguém as deverá abjurar
a não ser que fosse servo do amor
que não tu daria
por uma alma algo
em troca na corte
teus colegas todos
os dias dão a arte da rima
da caça ou do jogo por aquelas
que antes a si pertenciam
somente eu o que mais deu
nada tenho mais infeliz
por ser mais vil sou avultado
e nas tuas amplas pregas
è que eu lia a majestade
de um povo sacrificado
e nas tuas mãos via o ardente
vermelho da liberdade inspirada
pela unidade viva
por onde se escoou essa virtude
forte que insuflava na palavra o seu timbre
nobre
o meu virtuosismo sangrento
e sagrado quando falo do amor
devastado por uma funesta poeira
sinto os músculos de bronze incandescente
como se de algum modo ele em mim
se escarnasse
em passos vãos
que sendo se equivalem
a não serem
sò os amigos quebram
esta monótona identidade
com acenos de uma comunidade viva
que não somos chama a esta coexistência
sociedade que não è mais do que ter perdido a pàtria
a sua fisionomia sagrada as suas maternas coxas
oh ! ... em que muralha està a estatura oblíqua
desse seio de água e desse vento regeneradores
que eram a presença viva da vida unificada
e decerto são porque respiramos
a mesma poeira
mas para eles è o único espaço
de existência e para mim o que
deverá ser purificado por um
vento que ignoro donde virà
numa muralha tão opaca
mas tão vaga e cinzenta
que esse espaço de branca identidade
não è mais que um aceno à possível
liberdade para além da sua glória perfumada
viva entre os homens se ela houvesse
e não esta relação de anónima indiferença
e de vaga identidade flutuante sem cópula
e sem os templos brancos com jardins
de um ócio voluptuoso
è por isso que estamos condenados
a solidão de não pertencermos a dilatada força
que constitui um Universo Projecta um Horizonte
de Humanidade Viva em floração unânime
somos apenas cúmplices da nossa inabilidade e dos ornamentos
com que a revestimos para parecer o que somos e ser quem parecemos
aparto - me de ti para não cair
do sufoco dentro de mim oprimido
o bater ardente deste meu nobre coração
que pulsa dentro de mim amando - te
intensamente
da tua voz permanece
escorrem - me lágrimas
no meu rosto por te amar
em cada gota existe uma
esperança futura no amor
e em ti que tanto amo !
entre dois túmulos
por isso precisamos de falar
baixinho pisar com leveza
ver a noite e dormir em silêncio
amar e colher a flor preciosa
do ser no amor
para te amar
encontrei a luz
rasguei
o céu entrei no coração
do universo
amando - te intensamente
eternamente por te amar assim
será clemente voltará
a ser Deusa mãe para nos
colher por fim e guardas
para sempre no calor
do seu seio a plenitude
da nossa tão esperada
paz
de mecânica velocidade tapando o horizonte com violentos leques de retórica ò meu amor ainda vivo eu quero ser a tua voz lúcida e ardente pa...