terça-feira, 20 de abril de 2021

angùstia

tortura de pensar triste lamento

quem me dera calar a tua voz

quem me dera cà dentro muito

a sòs estrangular a hidra num

momento e nem sequer pensar

e o pensamento sempre a morder - me

bem dentro de nòs querer apagar no céu

 o brilho de uma estrela com o vento e não se 

apaga nada se apaga vem sempre rastejando

 como a vaga o infinito vem sempre perguntar - nos o 

que te resta ...
 

poeta eu sou

poeta eu sou um cardo desprezando

 a urze que se pisa sob os pès sou

 como tu um riso desgraçado

mas a minha tortura ainda maior

è não ser poeta assim como tu ès

para gritar um verso a minha dor ...
 

na vida ...

para mim não há deleite ando a chorar

convulso noite e dia e não tenho uma

sombra fugidia onde poise a cabeça

e me deite nem flor lilás tenho que enfeite

a minha atroz imensa nostalgia a minha pobre 

mãe tão negra e quente deu - me a beber a màgoa

no seu leite ...
 

a terra ...

a terra que te despe que te veste

o meu corpo è do tempo que me

deste a vida insuficiente è da  morte

não existe a tua tão perene de um olhar 

que dispare o seu brilho me fulmine que

vem amor sempre devagarinho e tarde se 

perde numa frase declaro - me soneto dizer

que foi de noite na manhã seguinte
 

na infância

eu achava que óleo s / tela era óleo sem tela 

mudem as águas aos girassòis de Van Gogh

a poesia sò è seca se não a regarmos
 

mudem os ventos

as searas do Van Gogh e verão

sò a cor arde nos campos amarelos

 intactos vermelhos infinitos vertente

ou vontade variante ou violência ou

verdade a arte nunca se repete ...

 

Há um íntimo

suor animal que nos perfuma

e ata a morte ao amor

o sol não se põe os homens

è que afogam em  vão

cada coisa a uma sò voz

a morte vem para sempre

a vida sò vem uma vez ...
 

Ò vorazes Vozes

de mecânica velocidade tapando o horizonte com violentos leques de retórica ò meu amor ainda vivo eu quero ser a tua voz lúcida e ardente pa...