domingo, 18 de setembro de 2022

Alexandra

Há pequenas aves que têm raìzes

nas palavras essas palavras que

não ficam arrumadas com decência

na literatura palavras de amantes

sem amor gente que sofre e a quem

falta o ar quando faltam as palavras

quando digo o teu nome è uma ave

que levanta voo como se tivesse

nascido o dia e uma brisa encancerada

nas amêndoas se soltasse para impelir


para o mais fundo para o mais frio

para o mais alto

para o mais azul


quando volto para casa o teu nome

vai comigo e ao mesmo tempo espera - me


já numa casa construída com dois nomes

como se tivesse duas frentes uma para montanha


e outra para o mar


por vezes dou - te o meu nome e fico com o teu

espreito então pela janela de onde se vêem coisas


que antes não tinha visto coisas que adivinhava

mas que não sabia

coisa que sempre soube mas nunca quis olhar


nessas alturas o meu nome è o teu olhar e os meus

olhos são justamente a pronúncia do teu nome


que se diz com um brilho molhado um som pequeno

como um roçar de asas dessas aves que constroem


o ninho na folhagem da fala e criam raìzes nas palavras

vulgares que os vulgares engrandecem quando falam de amor
 

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