para chorar e fazer chorar
para enterrar os nossos mortos
por isso temos braços longos
para os adeuses
mãos para colher o que foi dado
dedos para cavar a terra
assim será a nossa vida
uma tarde sempre a esquecer
uma estrela a apagar - se na treva
um caminho entre dois túmulos
por isso precisamos de velar
falar baixo
pisar leve
ver a noite
dormir em silêncio
não há muito o que dizer
uma canção sobre um berço
um verso talvez de amor
uma prece por quem se vai
mas que essa hora não esqueça
e por ela os nossos corações
se deixam graves e simples
por isso fomos feitos para a esperança no milagre
para participação da poesia para ver a face da morte
de repente nunca mais esperamos
hoje a noite è jovem da morte apenas nascemos imensamente

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