os meus olhos andaram
a despir o mundo o que
era roupa tombou num
obscuro abismo desolada
ave sob a chuva e não era
roupa era alma de gente
sonhos à procura do tempo
debruçados na margem
a lavadeira sabe não roupa
que cuida è o próprio rio que lava
e no seu ventre onde a luz se ajoelha
certa voz se desenroscou a trança cega
do tempo por isso mãe os meus olhos
são teus e eles não servem para ver
apenas para recordar o que antes de ser luz
foi palavra e corpo

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