segunda-feira, 19 de setembro de 2022

Prematuros olhos

muito antes de mim

os meus olhos andaram

a despir o mundo o que

era roupa tombou num

obscuro abismo desolada

ave sob a chuva e não era

roupa era alma de gente

sonhos à procura do tempo

debruçados na margem

a lavadeira sabe não roupa


que cuida è o próprio rio que lava

e no seu ventre onde a luz se ajoelha


certa voz se desenroscou a trança cega

do tempo por isso mãe os meus olhos


são teus e eles não servem para ver

apenas para recordar o que antes de ser luz


foi palavra e corpo
 

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