quinta-feira, 15 de setembro de 2022

vossa juventude leda

vossa felicidade pensativa

vosso medo de olhar a quem

vos olha vosso não conhecer - vos

tudo quanto vòs sòis que vos assemelha

à vida universal que vos esquece dà carinho

de amor a quem vos ama por serdes não lembrando

quanta igual mocidade eterna praia de Cronos pai

injusto da justiça quebrou deixando a sò memória um

branco som de espuma
 

este seu campo

ora lavado ora solene

olhando com a vista

de quem a um filho

olha goza incerto

a não pensada vida

das fingidias fronteiras


a mudança o arado não tolhe nem o em padece

por que concílios se o destino rege dos povos


pacientes pouco mais no presente do futuro

que as ervas que arrancou seguro vive a antiga


vida que não torna e fica filhos diversa e sua 
 

no mundo

sò comigo me deixaram os deuses

que dispõem não posso contra eles

o que deram aceito sem mais nada

assim o trigo baixa ao vento

e quando o vento cessa ergue - se
 

sofro o medo

do destino a leve pedra

que um momento ergue

as lisas rodas do meu carro

aterra  meu coração tudo

quanto me ameace de mudar - me

para melhor que seja odeio e fujo

deixa - me os deuses minha vida

sem renovar meus dias mas que um


passe e outro que passe ficando eu sempre

quase o mesmo indo para velhice como


um dia entra no anoitecer
 

sonambulismo

tombam os dias inúteis

amanhece è tarde anoitece

mas em nòs que nos importa

ser amanhã meio - dia ou noite ? !

... sonâmbula a vida decorre nas ruas


a paz  larva dos grandes cemitérios

dentro de nòs cada um apodrece


os sobressaltos que as ilusões de sonhos

se desfaçam e as esperanças morram


todas nessa hora !

acorda !

ainda que o caminho a percorrer

te espante e o peso da obra a realizar

te esmague !


ainda que acordar seja morrer depois aos poucos

em cada movimento dolorosamente


enchem - se títulos vibrantes os jornais mas tudo

è tão longe ... passamos por homens e não se conhecem


boa tarde ! bom dia !

cada um fechado nas suas fronteiras e os gestos vazios

a vida sem sentido sonambulismo apenas


acorda !


ainda que seja sò para sangue lento o olhar

se lhe incendeia respira fumo e fogo


embriagada a deusa de alma vasta e sossegada

ei - la presa das fùrias de medeia !

 

tese e antitese

já não sei o que vale a nova ideia

quando as vejo nas ruas desgrenhadas

torva no aspecto à luz da barricada

como bachante  após lúbrica coisa ...


 

oh

a poesia de tudo o que è geométrico
e perfeito a beleza nova dos maquinismos
à força secreta das peças o contacto liso
e frio dos metais a segura confiança do saber
que è assim exactamente sem lugar a enganos
tudo matemático e harmonioso sem nenhum
imprevisto sem nenhuma aventura como na cabeça 
do engenheiro                  


os operários tem nos músculos  de cor os movimentos
dia a dia repetidos è como se fossem da sua natureza
longe de toda vontade e de todo o pensamento como

 se os metais fossem carne do corpo e as veias se abrissem
aquela vida estranha dura implacável das maquinas
    
os motores de tantos mil cavalos alinhados e seguros de si
do seu poder as articulações subtis justos da engrenagem
a fabrica todo o imenso corpo de movimento concordantes
dependentes necessários








 

Ò vorazes Vozes

de mecânica velocidade tapando o horizonte com violentos leques de retórica ò meu amor ainda vivo eu quero ser a tua voz lúcida e ardente pa...