sábado, 17 de setembro de 2022

Tudo è Paixão

assim me perguntaste

assim te respondi

tudo è paixão

como não lamber

da tua pele o mel

que o desejo fabrica ?

e como a minha boca

não recolher o néctar


da tua boca ?


ou não sorver das tuas mãos

o pólen da ternura ?


e se em vez de paixão for sexo

apenas ou loucura ?


pode atè não ser amor mas seja o que for

não è pior


 

Morrer

de amor è assim

Quem morre de tempo certo

ao cabo de um certo tempo

 è rosa do deserto

que tem raìzes no vento

Qual a medida de um verso

que fale do meu amor ?

não me chega o universo

porque o meu verso è maior

Morrer de amor è assim


como uma causa perdida

eu sei falo por mim


vou morrer cheio de vida


Digo - te adeus vou - me embora

que os versos que te escrever nunca os lerás


sei agora que nunca aprendeste a ler


Neste dia que se enquadra no tempo que vai passar

termino mas esta quadra feito ao gosto popular


 

Estou

mais perto de ti porque te amo

os meus beijos nascem já na tua

boca não poderei escrever o teu

nome com palavras tu estás em toda

parte e enlouqueces - me


canto os teus olhos mas não sei do teu rosto

quero a tua boca aberta em minha boca e amo - te


como se nunca te tivesse amado

porque tu estás em mim mas ausente de mim


nesta noite sei apenas dos teus gestos

e procuro o teu corpo para além dos meus dedos


trago as mãos distantes do teu peito

sim estás em toda parte tão dentro de mim


tão ausente de mim e eu estou perto de ti porque

te amo
 

Amei Demais

Madruguei demais

Fumei demais

Foram demais

todas as coisa que na vida

eu emprenhei

vejo - as agora grávidas redondas

coisas tais como as tais coisas 

nas quais nunca pensei

Demais foram as sombras

Mais e mais


cada vez mais ardentes

as sombras que tirei do imenso mar de sol


sem praia ou cais de onde parti sem saber que embarquei

Amei demais sempre demais e o que dei està espalhado


pelos sítios onde vais e pelos anos longos que passei à procura

de ti de mim de mais ninguém e os milhares de versos que rasguei


antes eram perfeitos mais banais
 

passamos e agitamo - nos

debalde

antes de nòs nos mesmos arvoredos

passou o vento quando havia vento

e as folhas não falavam de outro modo

do que hoje passamos e agitamo - nos

de balde não fazemos mais ruído no

que existe dos que as folhas das árvores

ou os passos do vento tentamos pois com

 abandono assíduo entregar o nosso esforço

à natureza e não querer mais vida que das árvores


 verdes 


inutilmente parecemos grandes

salvo nòs nada


 pelo mundo fora nos saùda a grandeza

nem sem querer nos serve se aqui a beira - mar


o meu indício na areia o mar com ondas três o apaga

que fará na alta praia em que o mar è o tempo ? 
 

eternamente inscritos

na consciência dos Deuses

bocas roxas de vinho

testas brancas sob rosas

nus braços antebraços

deixados sobre a mesa

tal seja o quadro em que

fiquem mudos


eternamente inscritos na consciência dos deuses

antes isto que a vida como os homens a vivem


cheia da negra poeira que erguem das estradas

sò os deuses secorrem com o seu exemplo


aqueles que nada mais pretendem que ir no rio das coisas
 

sexta-feira, 16 de setembro de 2022

se

a vida fosse sempre vida

felizes cujos corpos

sob as árvores jazem

na ùmida terra que nunca

mais sofrem o sol ou sabem

das  doenças da lua

verta Eolo a caverna inteira

sobre o orbe esfarrapado

lance Neptuno em cheias mãos

ao alto as ondas estoirando


tudo lhe è nada e o próprio pegureiro que passa

finda a tarde sob a árvore onde jaz quem foi a sombra 


imperfeita de um deus não sabe que os teus passos

vão cobrindo o que podia ser se a vida fosse sempre


vida a glória de uma beleza eterna
 

Ò vorazes Vozes

de mecânica velocidade tapando o horizonte com violentos leques de retórica ò meu amor ainda vivo eu quero ser a tua voz lúcida e ardente pa...