domingo, 18 de setembro de 2022

Nos teus gestos

há animais em liberdade

e o brilho doce que sò tem

as cerejas è nele que adormeço

e dos teus dedos retiro a luz azul

dos arquipélagos

os teus gestos são letras

sílabas poemas

os teus gestos são páginas inteiras


são a tua boca a namorar na minha boca

o cio dos séculos a saudar o tempo


são os teus gestos que me acordam

gestos que vestem o silêncio fundo das ravinas


e assinalam a água do deserto

os teus gestos são musica

são lume

são a respiração do teu olhar

a seara de espigas onde ondula

no meu corpo

 

Bastava - nos amar

e não bastava o mar e o corpo ?

que enleia ? o vento como um barco

a navegar pelo mar ou por um rio

ou uma veia

bastava - nos ficar

e não bastava o mar a querer doer

em cada ideia

já não bastava olhar

urgente amar e ficar e fazermos uma teia

respira respirar


atè que o mar pudesse ser amor em maré cheia

e bastava


bastava respirar a tua pele molhada de sereia

bastava sim encher o peito de ar 


fazer amor contigo sobre a areia
 

tu ensinaste - me

a fazer uma casa com as mãos e os beijos

eu morei em ti e em ti meus versos procuram

voz e abrigo e em ti guardei meu fogo meu

desejo construí a minha casa porém não sei

das tuas mãos


teus lábios perderam - se entre palavras

duras e precisas que tornaram a tua boca fria


e a minha boca triste como um cemitério de beijos 

mas recordo a sede unindo as nossas bocas


mordendo o fruto das manhãs proibidas

quando as nossas mãos surgiram por detrás de tudo


para saudar o vento e vejo teu corpo perfumando a erva

e os teus cabelos soltando revoadas de pássaros


que agora se recolhem quando a noite se move nesta casa

onde guardo o teu nome
 

sábado, 17 de setembro de 2022

avidamente

recebeu a musica que atravessou

de um corpo a outro chegando

as mãos onde toda a nudez è branca

e firme com uma carne de fogo incarnada

o amor incarnado o fogo contra o chão


contra chão das paredes se amaram pressentindo

que andando pela casa bastaria tocarem - se


para ficarem a dormir como acordam as aves
 

os amantes com casa

andavam pela casa amando - se

no chão e contra as paredes

respiravam exaustos como

 se tivessem nascido da terra

dentro das sementeiras

beijavam magoados atè 

se magoarem mais um no outro

eram prisioneiros um do outro

e livres libertavam - se

para a vida e para o amor


vivendo a própria morte


voltavam a andar pela casa amando - se

no chão e contra as paredes


então era a musica como se cada corpo

atravessasse o outro corpo e recebesse


dele nova presença agora serena e mais pobre

mais avidamente rica por essa pobreza


 

Nenhuma morte

apagará os beijos e por dentro das casa

onde nos amamos ou pelas ruas clandestinas

da grande cidade livre estarão sempre vivos 

os sinais de um grande amor esses densos sinais

do amor e da morte com que se vive a vida


a aì estarão de novo as nossas mãos

e nenhuma dor será possível onde


nos beijamos eternamente apaixonados

meu amor eternamente livres prolongaremos


em todos os dedos os nossos gestos e profundamente

no peito dos amantes a nossa alma líquida e atormentada


desvendará em cada minuto o seu segredo para que este

este amor se prolongue e noutras bocas ardam violentos 


de paixão os nossos beijos e os corpos se abracem mais

se confundam mutuamente violando - se violentando - se

a noite para que o outro dia afinal seja possível
 

Houve uma Ilha em Ti

que eu conquistei

uma ilha um mar de solidão

tinha um nome a ilha onde morei

chamava - se essa ilha coração

que saudade do tempo que passei

nenhum desse tempo foi em vão

do teu corpo de ti já não sei

tambèm não sei da ilha

não sei não

sò sei de mim coberto de raìzes


enterrei os momentos mais felizes

vivo agora na sombra a recordar


a ilha que eu amei já não existe

agora amo o céu quanto estou triste


por não saber do coração do mar 


 

Ò vorazes Vozes

de mecânica velocidade tapando o horizonte com violentos leques de retórica ò meu amor ainda vivo eu quero ser a tua voz lúcida e ardente pa...