quinta-feira, 15 de setembro de 2022

sonambulismo

tombam os dias inúteis

amanhece è tarde anoitece

mas em nòs que nos importa

ser amanhã meio - dia ou noite ? !

... sonâmbula a vida decorre nas ruas


a paz  larva dos grandes cemitérios

dentro de nòs cada um apodrece


os sobressaltos que as ilusões de sonhos

se desfaçam e as esperanças morram


todas nessa hora !

acorda !

ainda que o caminho a percorrer

te espante e o peso da obra a realizar

te esmague !


ainda que acordar seja morrer depois aos poucos

em cada movimento dolorosamente


enchem - se títulos vibrantes os jornais mas tudo

è tão longe ... passamos por homens e não se conhecem


boa tarde ! bom dia !

cada um fechado nas suas fronteiras e os gestos vazios

a vida sem sentido sonambulismo apenas


acorda !


ainda que seja sò para sangue lento o olhar

se lhe incendeia respira fumo e fogo


embriagada a deusa de alma vasta e sossegada

ei - la presa das fùrias de medeia !

 

tese e antitese

já não sei o que vale a nova ideia

quando as vejo nas ruas desgrenhadas

torva no aspecto à luz da barricada

como bachante  após lúbrica coisa ...


 

oh

a poesia de tudo o que è geométrico
e perfeito a beleza nova dos maquinismos
à força secreta das peças o contacto liso
e frio dos metais a segura confiança do saber
que è assim exactamente sem lugar a enganos
tudo matemático e harmonioso sem nenhum
imprevisto sem nenhuma aventura como na cabeça 
do engenheiro                  


os operários tem nos músculos  de cor os movimentos
dia a dia repetidos è como se fossem da sua natureza
longe de toda vontade e de todo o pensamento como

 se os metais fossem carne do corpo e as veias se abrissem
aquela vida estranha dura implacável das maquinas
    
os motores de tantos mil cavalos alinhados e seguros de si
do seu poder as articulações subtis justos da engrenagem
a fabrica todo o imenso corpo de movimento concordantes
dependentes necessários








 

sexta-feira, 8 de julho de 2022

poemas esquecidos na madrugada

este è o amor que dói silenciosamente

na tua ausência presente em mim como

se uma lágrima nos ocultasse um sorriso

uma ternura uma palavra amiga bem profunda

em nòs no amor um carinho o teu sorriso tão

belo que ilumina todo o meu ser como quem

parte num abraço caloroso cheio de ternura

num sorriso que jamais se arrefece e se congela

mesmo diante a morte se manterá viva a chama

 ardente em nòs no amor ès a única mulher


que arranca e faz verter uma lágrima no meu rosto

a escorrer - me o corpo todo por amor amo - te


minha esbelta princesa


beijos !
 

não estejas longe de mim



 
um dia que seja

porque não sei dizê - lo 

è longo o dia estarei à

tua espera como nas estações

quando em algum sitio os

comboios adormecem

não te afastes uma hora

porque então nessa hora

se juntam as gotas da insónia

e talvez o fumo que anda


à procura de casa venha matar ainda o meu coração perdido

ai que não se quebre a silhueta na areia ai que ausência as


tuas pálpebras não voem não te vaias por um minuto ò bem amada

porque nesse minuto terás ido tão longe que atravessei a terra inteira


a perguntar se voltarás ou me deixarás morrer

quinta-feira, 7 de julho de 2022

amo - te sem saber como

não te amo como se fosses rosa 

de sal do topázio ou seta de cravos

que propagam o fogo amo - te como

certas coisas obscuras secretamente

entre a sombra e a alma amo - te

como a planta que não floriu e tem

dentro de si escondida a luz das flores

e a graça ao teu amor vive obscuro


 em meu corpo o denso aroma que subiu a terra

amo - te sem saber como quando nem onde


amo - te sem problemas nem orgulho amo - te

assim porque não sei amar - te de outra maneira


a não ser deste modo em que nem eu sou nem tu

ès tão perto que a tua mão no meu peito è minha


tão perto que os teus olhos se fecham com o meu sono

 

o teu riso

tira - me o pão se quiseres tira - me o ar

mas não me tires o teu riso não me tires

a rosa a flor de espiga que desfias

a água que de sùbito jorra na tua alegria

a repentina onda de prata que em mim nasce

a minha luta è dura e regresso por vezes com

os olhos cansados de terem visto a terra que não

muda mas quando o teu riso entra sobe o céu

a minha procura abre - me todas as portas da vida

meu amor na hora mais obscura desfia o teu riso


e se de sùbito vires que o meu sangue mancha as pedras

da rua ri porque o teu riso será para as minhas mãos


uma espada fresca


perto do mar no Outono o teu riso deve erguer

a sua cascata de espuma e na primavera amor


quero o teu riso como a flor azul rosa da minha

 pàtria sonora


ri - te da noite do dia da luz ri - te das ruas curvas da ilha

ri - te deste rapaz desajeitado que te ama


mas quando abro os olhos e os fecho quando os meus passos

se forem quando os meus passos voltarem nega - me o pão


o ar a luz a primavera mas o teu riso nunca porque sem ele


morreria

 

Ò vorazes Vozes

de mecânica velocidade tapando o horizonte com violentos leques de retórica ò meu amor ainda vivo eu quero ser a tua voz lúcida e ardente pa...