sábado, 17 de setembro de 2022

passamos e agitamo - nos

debalde

antes de nòs nos mesmos arvoredos

passou o vento quando havia vento

e as folhas não falavam de outro modo

do que hoje passamos e agitamo - nos

de balde não fazemos mais ruído no

que existe dos que as folhas das árvores

ou os passos do vento tentamos pois com

 abandono assíduo entregar o nosso esforço

à natureza e não querer mais vida que das árvores


 verdes 


inutilmente parecemos grandes

salvo nòs nada


 pelo mundo fora nos saùda a grandeza

nem sem querer nos serve se aqui a beira - mar


o meu indício na areia o mar com ondas três o apaga

que fará na alta praia em que o mar è o tempo ? 
 

eternamente inscritos

na consciência dos Deuses

bocas roxas de vinho

testas brancas sob rosas

nus braços antebraços

deixados sobre a mesa

tal seja o quadro em que

fiquem mudos


eternamente inscritos na consciência dos deuses

antes isto que a vida como os homens a vivem


cheia da negra poeira que erguem das estradas

sò os deuses secorrem com o seu exemplo


aqueles que nada mais pretendem que ir no rio das coisas
 

sexta-feira, 16 de setembro de 2022

se

a vida fosse sempre vida

felizes cujos corpos

sob as árvores jazem

na ùmida terra que nunca

mais sofrem o sol ou sabem

das  doenças da lua

verta Eolo a caverna inteira

sobre o orbe esfarrapado

lance Neptuno em cheias mãos

ao alto as ondas estoirando


tudo lhe è nada e o próprio pegureiro que passa

finda a tarde sob a árvore onde jaz quem foi a sombra 


imperfeita de um deus não sabe que os teus passos

vão cobrindo o que podia ser se a vida fosse sempre


vida a glória de uma beleza eterna
 

porque

me negas o que não te peço

a flor que ès não a que dàs

eu quero porque me negas

o que não te peço

tempo há para negares

depois de teres dado

flor sê flor !


se te colher avaro a mão em fasta esfinge

tu perene sombra errarás absurda  buscando


o que não deste

 

a nada imploram

tuas mãos já coisas

convencem teus lábios

já pados no abafo soterrâneo

da ùmida imposta terra

sò talvez o sorriso em que amavas

te embalsama remota e nas memórias

 te ergue qual eras

hoje cortiço apodrecido e o nome

que o teu corpo usou vivo na terra

como uma alma não lembra a ode


grava anônimo um sorriso
 

Homem um corpo

choro !

aqui dizei na cova

que me abeiro

não està quem amei

olhar nem riso


se escondem nesta leira

ah mas olhos e boca aqui se escondem !


mãos apertei não alma e aqui jazem

Homem um corpo choro !
 

a vida

mais vil antes que a morte

o sono è bom pois despertamos

dele para saber que è bom se não

e não è sono enquanto em nòs è

nosso a refusemos enquanto em

nossos corpos condenados dura

do carcereiro a licença indecisa

 a morte que desconheço quero

e as flores que colho que te entrego

volvais de um pequeno destino
 

Ò vorazes Vozes

de mecânica velocidade tapando o horizonte com violentos leques de retórica ò meu amor ainda vivo eu quero ser a tua voz lúcida e ardente pa...